Moçambique: Acusações de Violência e Abusos Policiais nos Bairros




Moradores da Matola e de Boane denunciam episódios de violência envolvendo agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). As acusações incluem invasões domiciliares sem mandado, desaparecimento de jovens e execuções, o que tem gerado medo e indignação. As autoridades, no entanto, refutam as alegações de abusos.

Relatos de Medo e Violência

Segundo residentes das localidades afetadas, agentes armados invadem casas durante a madrugada, arrombam portas e agem de forma violenta. José (nome fictício), um dos moradores, descreve como os policiais ultrapassam os portões e entram à força nas residências.

No bairro Belo Horizonte, em Boane, a situação é alarmante. João (nome fictício), outro residente, expressa sua revolta e acusa os agentes de atacar indiscriminadamente, incluindo pessoas que não participaram de protestos. Ele relata que até transeuntes e trabalhadores foram atingidos por gás lacrimogêneo sem justificativa.

Desaparecimentos e Protestos

Os moradores também denunciam o desaparecimento de jovens. José, parente de uma vítima, lamenta a falta de informações sobre o paradeiro de um jovem de 21 anos que desapareceu após uma ação policial.

Os protestos que contestam os resultados eleitorais no país, liderados pelo político Venâncio Mondlane, resultaram em episódios violentos, com centenas de mortes, de acordo com a Plataforma Decide, uma entidade da sociedade civil.

Reações e Questionamentos

Moradores exigem respostas e questionam a atuação das forças de segurança. César Bambo, da Matola, cobra uma solução imediata e critica a falta de ação efetiva por parte do governo.

A indignação cresceu após o ministro do Interior, Paulo Chachine, afirmar que não houve uso de balas letais nos protestos, declaração que contradiz os relatos locais. Organizações da sociedade civil, como a liderada pela advogada Ivete Mafunza, continuam a pressionar a polícia por uma atuação baseada nos princípios de proporcionalidade, necessidade e legalidade durante manifestações pacíficas.

A tensão permanece alta, enquanto os protestos continuam e jovens moçambicanos parecem decididos a não desistir.

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