As Tarifas de Trump e o Impacto no Brasil



A política de taxação imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já trouxe efeitos econômicos negativos para o Brasil. Em 12 de março, foi implementada uma tarifa de 20% sobre a importação de aço, que, embora recente, tem potencial de gerar um prejuízo de até R$ 8,7 bilhões para o Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esse valor, embora modesto em relação ao PIB brasileiro, não deixa de ser significativo.


Além disso, novas medidas tarifárias previstas para 2 de abril podem intensificar os impactos econômicos, mesmo com o Brasil buscando atenuar a situação por meio de negociações diplomáticas.


Histórico de Tarifação


A estratégia protecionista de Trump não é inédita. Desde que assumiu o mandato em 2017, o presidente já havia imposto taxas sobre diversos produtos, como máquinas de lavar e painéis solares, com tarifas que chegaram a 50%. Entre os principais alvos das medidas estão o Canadá, o México e a China.


O Brasil também foi mencionado por Trump em fevereiro de 2025, em referência à taxa de importação de etanol cobrada pelo país, que é de 18%, comparada aos 2,5% aplicados pelos EUA.


Produtos que Já Foram ou Podem Ser Taxados


O levantamento, baseado em decretos e anúncios públicos, identificou os principais produtos que já sofreram ou correm o risco de sofrer taxações e que podem afetar o Brasil:


  1. Aço e alumínio: Desde 12 de março, a tarifa de 25% impacta fortemente o Brasil, principalmente em relação às exportações de aço.
  2. Cobre: Embora ainda sem data definida, o governo americano está avaliando uma possível tarifa, o que pode prejudicar o Brasil de forma indireta, devido à desaceleração das economias do Chile e do México.
  3. Etanol: Pode ser incluído no pacote de 2 de abril, com a expectativa de que a tarifa americana sobre o produto seja igualada à brasileira.
  4. Polietileno: Sem confirmação oficial, mas há indícios de que a tarifa atual de 20% possa ser elevada após uma investigação antidumping.
  5. Madeira e derivados: A análise sobre possíveis taxas ainda está em andamento e, caso sejam implementadas, o impacto sobre o Brasil será pequeno, devido ao baixo volume exportado.
  6. Semicondutores: A possível taxação preocupa, já que o Brasil ainda é dependente da importação desse produto.
  7. Produtos farmacêuticos: Ainda em fase de avaliação.
  8. Negociações com a Venezuela: O governo americano estuda impor tarifas de 25% sobre países que mantêm relações comerciais com a Venezuela, o que poderia afetar o Brasil.
  9. Carros e peças automotivas: As tarifas entram em vigor em 2 de abril e podem afetar o Brasil indiretamente.
  10. Produtos agrícolas: A lista de itens a serem taxados ainda não foi divulgada.

Consequências e Análises


O estrategista Gustavo Cruz alerta que a balança comercial brasileira pode ser impactada de forma indireta, uma vez que outros países afetados pelas tarifas podem aumentar o consumo interno e reduzir a dependência de importações do Brasil.

A saída dos EUA do Acordo de Paris também preocupa, pois enfraquece iniciativas ambientais nas quais o Brasil busca liderança. O economista Bruno Corano ressalta que uma possível alta na inflação americana pode desvalorizar o real, com impacto no fluxo de capitais.

Relações EUA-Venezuela e Implicações para o Brasil


Além das tensões comerciais, Trump anunciou a intenção de taxar países que mantêm negócios com a Venezuela. A medida faz parte de uma ofensiva contra o governo venezuelano, que inclui disputas sobre imigração e extradição de criminosos.

Embora do ponto de vista do direito internacional a ação possa ser questionada, especialistas apontam que os Estados Unidos, com sua influência econômica, têm margem para atuar sem sofrer consequências severas.

Conclusão

O cenário permanece incerto, e o Brasil precisa diversificar suas relações comerciais e fortalecer o mercado interno para mitigar os impactos das políticas protecionistas americanas. Especialistas destacam que as próximas decisões podem influenciar ainda mais o comércio global e agravar os desafios econômicos enfrentados pelo país.

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